Repassei um artigo do Vito Gianotti sobre uma notícia de O Globo, que atacava uma ocupação do MST a uma fazenda paulista, “contruída em 1830 e que produz café e feijão, e tem atividades pecuárias”, segundo o jornal. A reportagem ouviu o proprietário e seus vizinhos, mas não os mais importantes atores da notícia, os homens e mulheres que provocaram o fato.
Escondeu, no entanto, que a fazenda havia sido declarada improdutiva pelo INCRA e estava em fase final de aprovação, faltando apenas o depósito dos valores devidos ao proprietário. Para apressar essa última etapa, o movimento dos sem-terra executou a ocupação e acampou na fazenda. A forma parcial como a notícia foi publicada, não muito diferente de todas as demais, mostra quais interesses que são defendidos pela mídia diariamente, subvertendo sua missão de bem informar a população com imparcialidade.
O pequeno artigo do Vito:
http://www.piratininga.org.br/novapagina/boletim_show.asp?boletim_num=115
Ao final, fiz uma ponderação: O certo era ter uma imprensa desinteressada (em seu sentido Gramsciniano), prestando um serviço público essencial, o acesso à informação, de forma idônea e imparcial, com controle popular. Ao contrário, temos a totalidade das grandes redes nas mão de algumas famílias da elite nacional, deturpando fatos e manipulando a população a mando das grandes fortunas, para a perpetuação do sistema social em vigor, baseaedo na competição, no individualismo e no lucro, enfim, sem futuro para a felicidade real da humanidade.
Recebi, quase que de imediato, a resposta de um grande amigo de São Paulo, sobre a provocação. Ele escreve de forma nervosa, me chama de uns apelidos “carinhosos” e economiza na pontuação, mas diz o que sente sem papas na língua:
... Agora em relação ao seu e-mail concordo que a globo manipula as informações ao seu bel desejo, mas em questão ao restante eu não concordo com MST, sem teto sem o caralho, nunca ninguém me deu nada nem para mim e nem para meus avos quando vieram como imigrantes para trabalhar na roça, deram para seus avos alguma coisa, agora todo mundo quer terra mas não trabalha nela fica um tempo na terra e vende depois, deveriam receber a terra para produzir sem titulo de posse e sem direito a venda se não quer trabalhar mais na terra devolva para que possa se dar para outra família, sem teto quer casa, o governo constrói subsidia vende a preço de banana o cara paga 30,00 reais por mês, ai ele entra fica um tempinho vende por qualquer 10 mil e volta para a favela, ajuda aluguel morei 12 anos de aluguel e vê se alguém pagou aluguel para mim ou para você, bolsa família, bolsa do cacete e a maioria disso distribuída para quem não precisa, agora 3 dias antes de acabar o ano o nosso presidente assinou a lei por que não foi aprovada no congresso e não podia passar para este ano por que é ano eleitoral, 40,00 reais para adolescente com 16 e 17 anos, porque será será que e porque eles votam, corninho detesto começar falar de política que fico nervoso e minha pressão começa a subir,neste pais só tem corrupto e nunca vi um governo tão corrupto como este que esta agora, um abraço veadinho manda um abraço em casa e vê se aparece, ai vamos sentar eu você o Rodrigo e o Neto e vamos falar do grêmio.
A esse quase ataque cardíaco, típico de um paulistano nervoso de tanto trabalhar e ficar preso em engarrafamento, respondi:
É. Acho melhor falar do grêmio, enquanto esperamos o timão voltar da segundona. Espero que volte como um time de verdade, campeão da segundona (como o grêmio), e não no tapetão ou na quarta posição. Para o timão, nem vice-campeão serve: Se não for campeão, deve pedir pra ficar na segundona e tentar de novo, senão seria humilhante.
Quanto à política, esse assunto não me faz subir a pressão pois tenho claro minhas posições, que são baseadas em estudos profundos da situação política nacional. Se concordas que a globo, o estadão, etc, manipula informações e mentes de seus telespectadores, e reproduzes exatamente o que ela divulga (somente a parte ruim de qualquer atitude social), então concluo o óbvio: Te deixas manipular (conscientemente ou não) pela grande imprensa. Isso pode ser uma escolha, mas em geral a gente não percebe, pois é muito sutil. Eu sempre me pergunto: E o outro lado da notícia, onde está? Quem vai defender a posição contrária? A entrevista é na íntegra, ou foi editada para descolar a informação de seu contexto? Sem questionar a informação, ela é inútil, pois já vem interpretada e mastigada, somente pra gente engolir. Sinceramente, prefiro degustar e mastigar eu mesmo o que eu engulo.
Nenhum governo é bom o suficiente para ninguém, pois é a representação de um povo heterogêneo, a expressão de muitos interesses antagônicos. Agora achar que porque alguns (sim, alguns) sem-terra vendem o lote conseguido e voltam para o acampamento, deslegitima toda uma necessária e inadiável a reforma agrária, não é coerente. Que ninguém precisa de auxílio para nada, baseado na própria realidade (consegui sozinho, então os outros que consigam também) é muito mesquinho, e sei que não és mesquinho. Há uma cultura ao individualismo muito grande em nossa sociedade, e isso precisa ser mudado. Se há alguém se utilizando de benefícios sociais do governo (bolsa-família, Pró-uni, etc), eu fico feliz que tenhamos condições de oferecer mais conforto a quem passa necessidades e oportunidades a parcelas da sociedade que historicamnete não têm acesso à elas, e torço para que sejam corrigidas as distorções que surgem nesse processo (que é o que na verdade te traz indignação. As exceções, e não o projeto em si).
Pouco é divulgado quando esses projetos melhoram a vida das pessoas, quando um negro pobre entra na faculdade e poderá mudar a vida de toda uma família e das próximas gerações. Mas quando um esperto se locupleta do bolsa-família sem ter direito, quando um assentado descumpre as regras e vende seu lote, isso vira notícia a fim de deslegitimar todo um projeto, que é bom e que está mudando a vida de muita gente miserável e sem futuro nesse país. Eu sigo uma máxima: Se não tiver para todos, não terá para ninguém!
A resposta dele, a meu desabafo, foi mais contida. E até surpreendente...
Se você se candidatar voto em você, o cara parece que comeu sopa de letrinha, que você é e sempre foi petista eu sei mas voto em você, um abraço.
Até hoje não sei se ele foi sincero ou me rogou uma praga....
Recebo muitos, muitos emails. Tenho o (talvez mau) hábito de responder à maioria: elogio, critico, comento. Me toma um tempo que alguns dizem posto fora. Pra mim, é quase um vício fazer o contraponto. Opiniões, informações e debates, é o que se verá por aqui.
Quem sou eu
- Sergio Amorim
- Estudante de Sociologia. Servidor Público. Acredito na construção de uma sociedade justa e igualitária, construída pela permanente crítica ao sistema social atual e pela participação popular organizada na vida política.

